top of page

O que se aprende em 24 horas com o povo Baniwa, no Rio Negro

  • Foto do escritor: Do Norte Ao Norte
    Do Norte Ao Norte
  • 22 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A experiência começou antes da primeira refeição.

Chegamos à comunidade de Itacoatiara-Mirim, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde vive o povo Baniwa. Dali, seguimos a pé por uma trilha de cerca de 30 minutos, mata adentro, até o lugar onde passaríamos a noite.

O caminho já dava o tom do que viria: menos pressa, mais escuta.

Onde dormimos: simplicidade que acolhe

No fim da trilha, a estrutura era simples e funcional, do jeito que o território pede.Uma cabana de alvenaria, com telhado de palha e armadores de rede, pensada para descansar o corpo depois do dia.

Mais à frente, a cozinha tradicional, onde o fogo e os utensílios carregam história.E um pouco além, um igarapé, que não é só paisagem: é banho, é encontro, é rotina.

Fomos recebidos pelo capitão da comunidade, seu Moisés, com aquela hospitalidade direta, sem cerimônia, que não precisa de discurso pra ser sentida.

A primeira refeição: quando a comida apresenta o território

Nossa imersão alimentar começou ali mesmo, na primeira noite.

A primeira refeição foi uma matrinxã moqueada, preparada com calma, enrolada na folha de tempero, daquele jeito que concentra sabor e saber.Tudo acompanhado de beiju, tucupi preto e pimenta jiquitaia — presença forte, marcante, impossível de esquecer.

A sobremesa veio simples e perfeita: abacaxi.

Comer ali não era só se alimentar.Era entender que cada ingrediente tem origem, tempo e motivo.


Banho de igarapé antes do dia começar

No dia seguinte, antes mesmo do café da manhã, fizemos o que todo mundo ali faz:banho no igarapé.

Água fria, silêncio quebrado só pelo movimento da mata. Um despertar que não passa por despertador, mas pelo corpo entrando no ritmo do lugar.

Café da manhã: tudo nasce ali

O café da manhã veio como uma aula sem quadro-negro.

Tapioca acompanhada de tucumã, ariã e cará roxo — tudo plantado na própria comunidade.Nada embalado, nada trazido de fora. A comida nasce onde é preparada.

Ali fica muito claro que alimentação, território e autonomia caminham juntos.



Boas-vindas em forma de música e dança

Depois do café, fomos convidados para uma apresentação de boas-vindas, com danças e músicas tradicionais. Não como espetáculo, mas como gesto de acolhimento.

Um jeito de dizer: vocês estão entrando no nosso território, agora escutem.



A última refeição: fechamento com sabor de rio

Nossa última refeição na comunidade veio forte, como tudo ali.

Tambaqui e surubim assados, preparados com respeito ao peixe e ao fogo.Acompanhados, mais uma vez, de beiju, tucupi preto e pimenta jiquitaia.

Para beber, suco de graviola.E, pra fechar, abacaxi de sobremesa.

Nada sobrando, nada faltando. Equilíbrio.


Experiências como essa deixam claro que conhecer a Amazônia vai muito além de paisagem bonita. É sobre escolher caminhos que respeitem o território, as pessoas e os saberes que sustentam esses lugares.

Pra quem quer viver o Amazonas com mais profundidade — indo além do óbvio e buscando experiências que valorizem cultura, comunidades e o ritmo local — vale conhecer algumas opções de passeios e vivências organizadas no estado: 👉 https://www.civitatis.com/br/amazonas/?aid=110186&cmp=post_site_dnn

O que ficam dessas 24 horas

Passar 24 horas comendo o que a comunidade Baniwa come não é desafio gastronômico.É imersão em um modo de vida.

Você entende que:

  • comida é memória;

  • preparo é conhecimento;

  • e cada refeição é também um ato cultural.


A Amazônia ensina muito quando a gente senta, come e escuta.

Comentários


bottom of page